Por entre sesmos.

Estórias de amigos, enquanto passeantes, exploradores e vigilantes da Serra da Arrábida.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Vigilância - lixo em Portugal

Para não esquercer a tua outra vida ... um site dedicado ao lixo:

Lixo.lixo

quinta-feira, novembro 03, 2005

se...

Se... se os olhos do mundo pudessem ver aquilo que os meus olhos vêem, saberiam que não éfácil conviver com certas coisas.
Olhar fixamente para coisa nenhuma ou para algo grande: liberto das limitações físicas subo ao mais alto monte e de lá consigo contemplar quão o mundo pode ser grande e belo ou adivinhar quão mesquinhas são algumas preocupações de algumas gentes que por aí andam e que aqui não estão nem pelas convicções, nem pelas razões que me empurraram para cá.
Ânimo, braços e inteligência - eis as minhas ferramentas de trabalho. Não quero mudar o mundo. Primeiro mudo-me a mim e já é muito.

terça-feira, novembro 01, 2005

timor

O meu universo era desconcertante, imaginativo: o bem ganhava sempre; o estético triunfava. No meu mundo preferi sempre o mar azul porque me fazia sonhar com ilhas remotas, cidades submersas em ruínas, com o cheiro marinho que era tão intenso e denso que o podia agarrar. Nestas cidades não havia o medo, nem ignorância. Bani-o sempre! Os caminhos eram tão simples que neles caminhava de olhos vendados sem medo de tombar ou de tropeçar. Os recantos eram lindos.A viagem mostrou que este mundo nem sempre existe!; que o mundo é diverso e contraditório. O meu mundo é agora um todo maior que é a soma das partes visitadas e sentidas. A noção espácio-temporal dilatou-se e abriu-se-me uma nova relatividade. E só um espírito forte pode ter coragem para tal viagem.
A maturidade está por concluir; esta viagem representa a conquista da maturidade.
A universidade permitiu-me a viagem; mas lá, na “ilha do dia depois”, de nada me serve. Lá, a escola da vida está antes da escola dos diplomas. Tudo é subjectivo e sujeito a interpretações.
Na viagem não procuro aumentar os meus conhecimentos. Antes, quero ilustrá-los. A minha prioridade vai para a interpretação das sensações que os lugares me transmitem, perseguir ritmos e deslizar sobre costumes. O que busco é a minha imaginação. Aqui vou tirar um doutoramento na arte de viver. Daqui para a frente as linhas com que coserão os meus projectos dependerão somente de mim. Mas sinto energia. Estou vivo! Os meus futuros amigos serão malaios, ocidentais em exílio, gentis timorenses, asiáticos. A variedade espera-me. É a minha oportunidade.
Aterrei e aqui estou eu em solo desconhecido. A ilha é rainha: radiante na cor, é simbólica, evocando sensualidade; de cartografia encurtada… Sumptuosa e vigorosa na forma, magnífica na fragilidade, versátil nas tonalidades, inebriante nos odores.
É triste ver os amigos a afastarem-se. Amigos, sê-lo-ão o resto da vida, apesar de estarem longe.

terça-feira, outubro 25, 2005

casas e sensações

“El camino es acumular de decisions que te enriquecen y que te dejan nuella (marca) para el futuro”.

Casas no mundo e em Timor-Leste:

A estrutura de contornos que se ergue no meio do mar é Timor-Leste. A luz é preponderante e surpreendente: o reflexo das emoções. Talvez os barcos dos mares do sul não se apercebem deste campo visual que é um pedaço de terra trópico-equatorial; ilha que é imperial à sua maneira: de geometrias imprevistas, de terras pouco planas, uma ilha sublinhada pela luz. Sobre a parte mais elevada da terra, rodeada de condicionantes impostas pelos penhascos e pelo pouco arvoredo verde, poisa um céu azul que no ponto de vista térmico é pouco controlado.

Timor mais parece um catálogo de ecologia e humanismo tal é a profusão da variedade humana; decorativa de tons e cheiros

Dou-me conta, com certa surpresa, de que já cá estou há um mês, já lá vai um mês! E fico preocupado. Não pelo tempo que passou, pois parece-me que foi ontem, mas pela responsabilidade deestra num projecto que envolve tanta coisa.
Ultimamente tenho pensado muito na mina casade seúbal e nas casas de Timor-Leste.
Casas com gente dentro que sonha.
No mundo Há casas e casas: casas com formas de castelos, casas de zinco, de habitação social, bairros clandestinos, solares, casas de palha e paus, Até há povos que habitam, ainda hoje, no árctico, há esquimós a viver em iglos feitos de blocos de gelo; na comporta/ pen. de Tróia há paliçadas, sobre o Sado; na andalúzia e na turquia há gente a viver em grutas naturais que adaptaram para sua residência; em Marrocos há os trogloditas; no deserto, os beduínos e nas estepes da Mongólia a viver sob telas de pano ou de peles de animais esticadas sobre uma estrutura leve de paus. Há sítios onde é impossível ter casas permanentes, tal é a humidade. Casas com paredes moldadas em barro, casas em troncos.

Os materiais de construção como é fácil de concluir, diferem em função da geografia, dos recursos naturais e do dinheiro. Assim, em materiais mais ou menos efémeros ou duradoiros como o betão armado /aço e ferro, o vidro, o plástico, o alumínio e o titânio, e os mais perecíveis como a madeira, a lama de barro e pedra, a caniço, as fibras, o barro, as folhas, o gelo, há sempre casas em construção.

Para cobrir as casas, inventaram-se abóbadas, lajes, as telhas… coberturas que nos protegem contra o sol, a chuva, os ventos e a neve.
Há casa são tão modernas que até chamam de inteligentes e que se podem comandar a partir de outro país via net.

As aldeias, as vilas e as cidades são cada vez mais bonitas e estéticas, mais confortáveis, mais sofisticadas, mais amigas do ambiente, mais limpas.

Desde que há homem, há necessidade de um abrigo e há que respeitar os modos de habitar.

Mas há abrigos que têm gente dentro que não são casas: são infelizmente cada vez mais as tendas não de campismo do ócio mas dos campos de refugiados, e as tendas improvisadas pelas mulheres que nalgumas latitudes caminham dias inteiros há procura de alimentos, de combustível para se aquecerem e construírem as suas casas, para cozinharem ou à procura de água potável, tão raros que são e que são sinónimo de sobrevivência.

Espaço sensorial… campos visuais…o recurso à madeira e ao caniço como elementos construtivos agilizam a construção das casas em perfeita harmonia com a natureza e integração na paisagem. Num contexto de beleza natural inigualável, a natureza permanece inalterável na exuberância mesmo após a instalação das casas.

Neste contexto, a qualificação dos espaços e a promoção da relação homem/meio envolvente sem detiorar a identidade do conjunto, ou simplesmente o pressuposto abrigo/homem/sustentabilidade/equilíbrio ecológico impedem, aqui, o exercício da arquitectura.

Impor o homem, a sua presença, sem alterar o convite à contemplação não tem sido tarefa árdua. É simples: basta respeitar o princípio do respeito. É a firmeza da paisagem que ressalta.

As casas, de estrutura de madeira, elevadas do solo, cobertura em caniço e colmo, são espaços simples, envolventes e discretos. São espaços que proporcionam perspectiva de evasão a partir do seu interior, sobre o mar e montanha. São espaços, diria, quase utópicos. E o mais incrível: não é necessário mexer nos espaços exteriores - da sua organização fica encarregue a natureza em cujo curriculum vitae constam palestras na área da criatividade, do universo criativo e nas regras geométricas e estéticas. Aqui a natureza ganha porque é mais sábia que os doutos arquitectos, tem mais obra feita: os arquitectos são meros aprendizes que vão buscar as formas à natureza: Le Corbusier, Óscar Niemeyer* (*rapaz, traz uma folha maior…este homem fez Brasília), Frank Gehry, A. Tadoo, Doug Garofalo, Álvaro Siza Vieira, Gaudi, Eduardo Souto-Moura ou Edouard François.

Por detrás de cada arquitecto há um homem, por detrás da natureza há a beleza. Os projectos da natureza são grandes, tal é a generosidade da sua beleza, tal é a coragem em arriscar as rupturas com os cânones e postulados para celebra r verde vivo, o diálogo com a natura e a paisagem: são verdadeiros espaços alegóricos à natura.

O coração da casa é a abertura ao mundo.

Intemporalidade, humanismo, utopia: são as matérias-primas - o acto de construir está intimamente associado à criação natural.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Procurar

Olhando para o futuro, tenho procurado descobrir o que resta da minha caminhada, descobrir através das curvas da vida (que me impedem uma visão total do troço percorrido!) o sentido do já feito. E dá uma impressão de inutilidade, de vazio. Os momentos passam, a vida decorre e sucede-se. Falta-me tempo. Também eu vou ser castigado pelo bem que não fiz. A vida forçou-me por outros caminhos. Agora é a vez do seguir em frente, rumo ao futuro, a Timor Leste.

À partida para a "ilha do dia depois", custa tanto desgarrar das coisas, dos acontecimentos, das pessoas, dos sentimentos… e acelera-se-me o coração, porque quem não sente não é filho de boa gente.

Saudades… tanto tempo à procura do viver, a tentar vencer, a procurar aprender e a ensinar, a fazer figura de tolo, a ser feliz, a cair e a levantar-me, altos e baixos, tanta aurora e tanta noite. Tanta coisa a acontecer. Tanta coisa vivida e tanta por viver!

Esperança no decorrer da vida e ânsia de viver. Tropecei nas desgraças do real, da humanidade. Gente rude, duma bestialidade assustadora. E há encruzilhadas que me deixaram de rastos. Mas o caudal da vida não pára, ultrapassa-me, arrasta-me, enrola-me. A esperança não engana: é força interior, energia de reserva que me projecta para o futuro… Caminhei às vezes sobre a corda bamba estendida sobre o limbo…Ser humano por definição…que se passa dentro de mim? Que linhas e cruzadas me atravessam? Às vezes fico com receio de mim mesmo – que forças actuam em mim? Por que razão tenho medo de errar e de me perder? Convenço-me depois que para se ser humano livre e responsável, é necessário ter medos

sexta-feira, outubro 07, 2005

depois de ouvir palavras a mais...quietude dos rostos humanos

O silêncio que procuro…no meio de tanta gente, tráfego, ruído muito ruído do rugir das máquinas, máquina de proporções gigantescas, travagens de veículos, buzinadelas, os mercados, os pregões, os gritos das vendedores, o cheiro a peixe, a carne e a comida quase feita dos tascos, cheiro marinho das redes e da marzia, a caca de porcos e cabras nas bermas... No meio de tanta procura desnorteada do poder e do ter, no meio do zumbido constante das ruas, do matraquear dos carros, que escondem os falares das gentes; depois de ouvir palavras a mais, de todos os tons, depois de tudo procuro a quietude dos rostos humanos.

pérolas




segunda-feira, outubro 03, 2005


Eu na praia da Areia Branca, Díli
_eu na escola_